Coração de asas
Esse meu
coração alado,
com asas
nasceu,
criatura
divina ou das trevas,
um anjo ou um
demĂŽnio.
ele nĂŁo
pulsa,
apenas sinto
o bater de suas asas
dentro do meu
peito.
Uma gĂĄrgula,
criatura guardiĂŁ do meu ser
ela bebe e escoa
meu sangue,
faz-me ter pesadelos
a cada noite,
e obscuras recordaçÔes,
estas
memĂłrias confundem-me,
sĂŁo minhas ou
desse coração maldito,
lembranças de
quando era livre
ainda nĂŁo preso
a meu corpo.
Coração que não
ama, nĂŁo se apega
faz meus
sentimentos flutuarem
sem afeição ou
amor,
ninguém
segura esse coração,
que nĂŁo
conhece emoçÔes,
sĂł a fome de
ser livre,
pois sede nĂŁo
tem, bebe meu sangue
gĂĄrgula
solitĂĄria.
Coração alado
quer fugir do meu peito,
o bater das
asas ferem-me até sangrar,
seu voo para
a liberdade minha morte trarĂĄ,
quer ser
livre voando até o inferno
e com a
lĂąmina abro meu peito,
asas batem forte
espalhando sangue,
dou-lhe a
fuga, a liberdade
e a eterna solidĂŁo.
Cerberus Messing