by - domingo, junho 23, 2013


Duas vidas


Quando abandonar esta vida,

morrer dela eu vou,

uma outra me aguarda,

alguém me espera a um longo tempo,

espreita minha volta, a minha morte.
 

Infeliz fui neste mundo secreto

infiltrado em meu ser, em minha memória,

mundo louco este, eu podia voar,

eu podia mudar eu podia criar,

eu podia ser e fazer feliz,

mas não fui e não fiz,

falhei em minha jornada.
 

Mundo virtual, imaginação surreal,

podia tudo, menos criar felicidade real,

mente perversa, coração frio e arredio,

manipulador de mentes e emoções,

desejado, amado, odiado,

criatura que do inferno escapou.


Voava por mundos e regiões,

com apenas um leve fechar de olhos,

para lugares distantes eu ia.

Mundo das possibilidades

e das impossibilidades,

onde a pobreza foi trocada pela beleza,

tudo é belo, tudo é vazio

e aqui não há dor.
 

Encontro marcado com esta vida,

todas as noites eu tinha,

vários personagens,

muitos rostos, muitos corpos,

mas apenas um coração.


Aqui não se morre,

aqui se some, desaparece,

mas sumiço é morte,

então aqui sim, se morre.

Meu fim já anunciado será um renascimento,

outra vida me espera.
 

Morto estou, suicídio cometi,

levanto deste caixão que por anos fiquei,

caminho agora com dores ao encontro da vida real,

aproximo-me daquela cama,

que, por tanto tempo, de um lado fria ficou.

A minha espera ela estava,

deito ao seu lado, ele voltou,

palavras que leio no silêncio do seu sorriso.


Me abraça sem abrir os olhos dormentes,

por muito tempo não mais fitei,

até esquecendo a sua cor,

ela sabe que não mais irei embora,

pois morto estou

 e esquecido daquele mundo para sempre ficarei.
 
 
Cerberus Messing

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